terça-feira, 10 de maio de 2016

Os amigos "faz de conta que são amigos"

Qualquer ser humano de estrutura mental dentro dos padrões reconhecidos como normais tem um grupo interessante de amigos dos quais não abdica; esses amigos são reconhecidamente imprescindíveis para a sua vida social que gostam de cultivar; é um ser gregário, é em grupo que se identifica e se sente bem; só os eremitas e demais seres de má catadura conseguem viver uma vida numa espécie de reclusão auto-imposta e se sentirem realizados por essa via, a da exclusão. Os restantes precisam de companhia. No entanto não andam por aí, propriamente, amigos a cair às resmas como gotinhas de chuva pelo que cada um, o melhor que pode vai seleccionando uns quantos, os que pode e os que deixam que possa. Por processos não totalmente compreendidos existem pontes entre algumas pessoas que lhes permitem aproximar-se uma da outra. Os critérios de selecção dos amigos são vastos, quase nunca inteligíveis e nem sempre de substrato sólido: muitos, superficiais até! Pouco importa! Feito o amigo e tendo essa amizade uma idade ainda muito frágil assegura-se o fortalecimento da amizade através de jantares, encontros, petisqueiras e cenas afins de consolo para o estômago,  um bom valor etílico a acompanhar a fim de acelerar o processo de amigação. Estes momentos tendem a desmultiplicar-se em variadas cópias porque é uma receita de comprovada eficácia: comida para a pança porque todos os dias se tem fome;  álcool para a pinha porque se liberta o espírito e se tende a ser mais amiguinho e portanto, mais predisposto para aguentar o outro, o que em circunstâncias sóbrias não haveria pachorra para tal;  companhia para a nossa insustentável solidão! Resulta infalível se não nos começarmos a armar em esquisitos! No entanto, em dez amigos que se faz só dois passarão da condição de amigos para a condição de Amigos, os outros serão amigos mas numa situação mais precária, com prazo: enquanto dois desses futuros amigos o serão para todo o sempre os outros oito amigos, o serão desde que as condições ambientais sejam as propicias.

Princípios fundamentais: 1º   Proibido dar secas, de qualquer tipo; 2º Proibida a critica pessoal; 3º    Proibida a discussão estéril susceptível de criar atrito; 4º    Proibida a tristeza e quaisquer sentimentos negativos que possam influenciar o estado geral do grupo;



Observados este princípios temos amigos e podemos jogar essa amizade da forma mais conveniente; os meses do verão serão aqueles onde a dança dos amigos terá mais impacto, rodam-se pelas casas de uns e outros e a vida social é de uma intensidade tal que se julga, por um  momento, não se terem nunca tido amigos como aqueles. Rapidamente se ultrapassa esse logro, é que não se consegue estar de cara alegre todo o tempo da nossa existência e para os momentos em que somos feios, tal sorte de amigos não serve, muito porque não está para isso. E a gente não quer!

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