terça-feira, 10 de maio de 2016

   Há gente de coluna vertebral de tal forma flexível que consegue cheirar o próprio rabo e sendo assim aguentam qualquer merda, engolem sapos atrás de sapos porque quando deviam soltar verborreia, encolhem-se e na sua pequenez limpam as armas para mais tarde, quando o inimigo está de costas. Propagandeam-se como arautos de um carácter irrepreensível, donos de uma conduta moral sem mácula, gente de fibra e de substância, de valores sólidos e fidelidade inquestionável. São conciliadores, nunca dizem uma palavra que ofenda, nunca têm que pedir perdão a ninguém porque na sua condição de alma impoluta, nunca ofenderam ninguém, desiludem-se todos os dias com os seus semelhantes que, fracos, imperfeitos, irreflectidos, pecam constantemente por actos e omissões e sempre contra si. Relevam constantemente essas ofensas, sentem-se bem a levar pancada dos outros, são sofredores por profissão, resilientes na sua dor única. E são burros, muito burros e na estupidez de quem se julga destinado a uma existência sublime, são ridículos e não o sabem.

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